Agradeço a todos que, de norte a sul, subscreveram esta candidatura presidencial e sobretudo a todos os que se envolveram na construção desta candidatura realmente diferente, Conseguir a legalização da candidatura, quando alguns com apoios partidários muito mais fortes não o conseguiram, já foi uma vitória.

Balanço geral dos resultados:

– o resultado do candidato apoiado pela AD (PSD/CDS) ao ficar em quinto lugar com 11,3% dos votos foi uma derrota eleitoral do governo. Esta acontece depois de, em 11 de Dezembro de 2025, o mesmo governo ter sido confrontado com uma Greve Geral que lhe infligiu um golpe significativa no “estado de graça” que ainda existia desde as últimas eleições de Maio de 2025;

– a direita e a extrema-direita, apesar de eleitoralmente maioritárias nos últimos dois anos, encontram-se divididas com várias facções com peso significativo (Chega em destaque e Iniciativa Liberal com algum reforço);

– perante esta realidade política, o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro conduziu uma enorme campanha pelo “voto útil” da esquerda, colocando como ameaça a possibilidade de passarem à segunda volta dois candidatos da direita mais ou menos extrema. Uma campanha que se revelou eficaz pois Seguro ficou em primeiro lugar com 31% dos votos, tendo ganho um terço da sua votação nas últimas semanas;

– Tal hipotético cenário, muito propagandeado pelas empresas de comunicação, fomentou uma extrema pressão sobre os apoiantes de candidaturas de oposição às políticas do governo, O resultado de todas as candidaturas à esquerda de António José Seguro, mesmo as que tiveram direito a participar em todos os debates, em inúmeras entrevistas e com elevada cobertura mediática durante os últimos meses, foi muito modesta. A do PC/António Filipe obtém 1,64% (perde quase metade da votação de Maio de 25), a do Bloco/Catarina Martins consegue 2% (mantém a última votação do BE), e a do Livre cai para 0,68% (há seis meses o Livre obteve 4% dos votos);

– E a nossa candidatura claramente antissistema e que ousou enfrentar a extrema direita? Também sofreu essa pressão, mas um outro condicionante foi a discriminação e exclusão das dezenas de debates e entrevistas que os 8 candidatos do sistema tiveram ao longo de três meses (e fomos a única candidatura vítima de censura/corte em direitos de antena algo inédito na democracia portuguesa). Esta situação, aliada aos “ventos internacionais” que favorecem a direita e em particular a extrema com Trump no poder da maior potência militar e económica do mundo, completam a dificuldade de alargamento de uma candidatura antissitémica e de enfrentamento aos poderes económicos. Neste contexto, os resultados da nossa candidatura presidencial, com cerca de 11 000 votos, foi um resultado razoável.

2. Futuro

Esta candidatura serviu e servirá para continuar a lutar contra a destruição da vida dos trabalhadores, dos reformados e da juventude, contra a sua humilhação e exploração.

Uma candidatura pela obtenção de recursos necessários para termos saúde, educação, transportes e justiça de qualidade para todos. Uma candidatura que defende que a humanidade prospera com cooperação e não com a lei do mais forte, nem com a lei da bala, como Trump e a extrema direita querem.

Esta Candidatura serviu e servirá para dar corpo a uma luta:

– pelo direito à reforma aos 62 anos;

– pelo fim da reforma laboral de Luís Montenegro;

– por um salário mínimo imediato de 1.200 euros;

– para elevar o salário médio para 2.500 euros;

– por uma reforma mínima imediata de 1.000 euros;

– pela defesa do meio ambiente e de um planeta sustentável;

–  pelo fim das propinas no ensino superior, por mais bolsas e residências;

– por um plano de habitação pública com casas a preços acessíveis;

– para que não vá nem mais um euro para as guerras e para a Nato. Não queremos os nossos filhos a morrer em guerras que não são nossas!

É preciso também ter a coragem de combater os privilégios que se aplicam aos parasitas que recebem milhões de subsídios como o CHEGA e o Ventura, este que, ironicamente manda os outros “trabalhar” mas na realidade ele pouco trabalhou na vida, além de ser comentador televisivo e ajudar milionários a fugir aos impostos. Ventura é forte com os fracos mas perante Trump, aplaude as suas atrocidades, portanto, é fraco com os fortes.

Para todos estes combates e perante o falhanço de toda a esquerda parlamentar, é fundamental construir uma nova alternativa para os trabalhadores e para a juventude. Por isso, esta candidatura não se esgota aqui, e convido a todos os interessados a construir democraticamente essa nova alternativa nas reuniões que iremos dinamizar. Queremos que as pessoas possam decidir democraticamente o seu futuro e que não fiquem reféns de um sistema que as oprime e explora. Por isso, a partir de amanhã, vamos construir essa alternativa juntos. Participa e envolve-te ativamente nas reuniões que iremos dinamizar e que estarão anunciadas nas páginas da nossa candidatura, nas redes sociais ou no site (faz a tua pré-inscrição neste link: https://forms.gle/JYKNYbZUJsm5Yoz57). É HORA DE ABRIR A PESTANA!

 p.s. Perante os candidatos que passaram à 2.º volta não pode haver qualquer dúvida que, por muitas e vincadas diferenças que tenhamos com António José Seguro no seu passado e presente, tudo faremos para que André Ventura seja derrotado na 2.º volta.

André Pestana